sábado, 3 de abril de 2010

Energia

Energia: Principais Fontes

Introdução
O processo de industrialização brasileiro provocou um grande aumento no consumo de energia. Nas últimas décadas, a energia consumida aumentou a uma taxa de 7% ao ano, dobrando praticamente a cada dez anos.
Coube ao Estado brasileiro o fundamental papel de desenvolver uma infra-estrutura energética através da criação e atuação de grandes empresas estatais como a Petrobrás, Eletrobrás, Nuclebrás, etc.

O Consumo Brasileiro de Energia Primária

As cinco fontes de energia primária mais consumidas no Brasil são: petróleo, hidreletricidade, lenha, cana-de-açúcar e bagaço de cana, carvão mineral e gás natural.
Como podemos observar através do gráfico anterior, o consumo de lenha e de petróleo tem apresentado um declínio nas últimas décadas; em contraposição, ocorreu um significativo aumento no consumo de eletricidade, derivados da cana (álcool) e do carvão mineral.
A redução no consumo da lenha como fonte de energia é reflexo da modernização da sociedade brasileira, pois seu consumo era essencialmente doméstico (fogão a lenha), que vem sendo substituído gradativamente pelo GLP (gás liquefeito de petróleo). Cumpre salientar que a lenha continua a representar importante insumo energético para vários tipos de indústrias, como a siderúrgica, cerâmica, papel e alimentos.
A queda da participação do petróleo no balanço energético brasileiro, notadamente a partir do final da década de 70, foi conseqüência da alteração na política energética brasileira, que procurou sua substituição por outras fontes, como a eletricidade e o álcool como substituto da gasolina (Proálcool), conseqüência "da crise do petróleo".

A Energia Elétrica

A produção de energia elétrica pode ser feita através de usinas termelétricas (calor gerado pela queima de combustíveis) ou de usinas hidrelétricas (força hidráulica). As usinas hidrelétricas apresentam mais elevado custo médio de instalação que as termelétricas; por outro lado, seu custo operacional é bem mais baixo, utilizando "combustível"renovável e gratuito.

No Brasil, a capacidade instalada para a produção de energia elétrica é de aproximadamente 57 000 megawatts, sendo que as usinas hidrelétricas respondem por mais de 85% desse total.
A Energia de Fonte Hidráulica
O Brasil apresenta condições geográficas extremamente favoráveis à produção de energia hidráulica: grande número de rios, rios caudalosos que correm sobre planaltos, climas bastante úmidos em grande parte do território (pluviosidade acima de
1 000 mm anuais). As bacias Amazônica-Tocantins concentram o maior potencial hidráulico, e a bacia Paranaica, que produz a maior parcela da energia elétrica, concentrando 70% do potencial gerador nacional.
Região Sudeste: Maior Produção e Consumo de Energia
Responsável pelo consumo de mais de 60% da energia consumida no país, a região Sudeste, área de maior produção industrial brasileira, também se destaca como principal produtora de energia elétrica.
Além do grande número de usinas hidrelétricas da bacia Paranaica (rios Tietê, Grande, Paranaíba, Paranapanema, Paraná, Pardo, Mogi Guaçu, etc.), existe ainda significativa produção na bacia dos rios São Francisco, Paraíba do Sul e do rio Doce, (vide mapa) também localizados total ou parcialmente na região Sudeste.

Itaipu: Maior Usina Hidrelétrica do Mundo

A usina hidrelétrica de Itaipu, construída por um consórcio binacional Brasil-Paraguai, localiza-se no rio Paraná a 14 km a montante da foz do rio Iguaçu. A construção dessa gigantesca obra ficou a cargo da Eletrobrás e da Ande (Administracion Nacional de Electricidad del Paraguay). Essa usina, orçada inicialmente em 2,5 bilhões de dólares, acabou custando 18,5 bilhões de dólares (1988), incluindo a construção das linhas de transmissão (linhao) até os grandes centros industriais. Sua construção teve também objetivos estratégico-militares, colocando o Paraguai na órbita de influência brasileira.
As Usinas Hidrelétricas da Região Nordeste
A principal bacia hidrográfica da região Nordeste em termos energéticos é a do rio São Francisco. As usinas hidrelétricas aí implantadas foram parte de um plano de desenvolvimento econômico regional elaborado pelo governo federal no final da década de 60. A geração e transmissão dessa energia é controlada pelo sistema CHESF (Centrais Hidrelétricas do São Francisco). As principais usinas são: Paulo Afonso, Moxotó, Sobradinho.
Além das usinas do São Francisco, existe ainda a usina Castelo Branco (Boa Esperança), localizada entre os estados do Maranhão e Piauí, no rio Parnaíba.
Na região Sul existem várias usinas hidrelétricas na bacia Paranaica. No rio Iguaçu (PR) localizam-se as usinas de Foz da Areia, Segredo, Salto Santiago, Salto Osório, Salto Caxias, Cruzeiro.
No rio Capivari (PR) encontram-se as usinas de Capivari, Cachoeira, Descalvado. Além da bacia Paranaica, existem usinas hidrelétricas pertencentes a outras bacias: no rio Passo Fundo (RS) está a usina de Passo Fundo, e no rio Jacuí (RS) situam-se as usinas de Jacuí e Passo Real.
Na Amazônia, apesar do grande potencial hidráulico regional concentrado sobretudo nos afluentes da margem direita do rio Amazonas, o aproveitamento na produção energética é baixo, com pequeno número de usinas hidrelétricas. As principais são:
° Samuel: rio Jamari - Rondônia
° Balbina: rio Uatumã - Amazonas
° Curua-una: rio Curuá Una - Pará
° Tucuruí: rio Tocantins - Pará (maior da região e segunda do país após Itaipu)
° Coaracy Nunes ou Paredão: rio Araguari - Amapá
Um dos problemas provocados pela construção de usinas hidrelétricas na Amazônia é o impacto ambiental. A formação de gigantescos lagos artificiais se faz necessário, pois o relevo regional se caracteriza pelo predomínio de terras baixas e pequena declividade. Além de alagar vastas áreas afetando as populações nativas (índios, caboclos, posseiros, etc.), que são obrigadas a se deslocar para outros locais, as usinas inundam grande quantidade de matas que ficam submersas, e, com o tempo, entram em decomposição, aumentando a acidez da água e impedindo a vida de peixes.
Energia de Fonte Térmica
A região Sul é a que possui maior participação na produção de energia elétrica de fonte térmica (queima de combustíveis), pois é favorecida pelas maiores reservas e produção de carvão mineral do país. Entretanto, existem usinas termelétricas em todas as demais regiões, gerando cerca de 93% da energia elétrica total consumida no país.
Dentre as principais usinas termelétricas brasileiras, podemos citar:
° região Sul: Pres. Médici em Bagé, Charqueadas em São Jerônimo no Rio Grande do Sul, Jorge Lacerda em Tubarão Ä Santa Catarina. Essas usinas utilizam o carvão mineral como combustível.
° região Norte: Possui um grande número de usinas termelétricas de pequeno porte, que utilizam principalmente o óleo diesel como combustível. As usinas de Tapana em Belém e a de Manaus no Amazonas são as de maior potencial energético da região.
° região Sudeste: Destacam-se nessa região as usinas termelétricas de Piratininga em São Paulo, e a de Santa Cruz no Rio de Janeiro.

A Energia Nuclear

A implantação definitiva do programa nuclear brasileiro ocorreu em 1975, com a assinatura em Bonn do Acordo de Cooperação Nuclear entre o Brasil e a Alemanha. Em 1976, a empresa Furnas comprou as usinas Angra 2 e 3 a empresa KWU.
A Usina de Angra 1 foi implantada pela Westinghouse, empresa norte-americana, a partir de 1972, anterior ao acordo nuclear com a Alemanha.
A Central Nuclear de Angra dos Reis, oficialmente Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localiza-se na praia de Itaorna, em Angra dos Reis (RJ). O plano original do complexo nuclear de Angra era a instalação inicial de três usinas: a usina Angra 1, já construída, que funciona precariamente, apresentando constantes problemas devido a várias falhas do projeto da Westinghouse. As Centrais de Angra 2 e 3 ainda não foram implantadas, embora consumiram e continuam consumindo uma grande soma de recursos.
A construção das usinas nucleares em Angra dos Reis atendeu às seguintes condições:
- água em abundância;
- facilidade de transporte dos equipamentos importados;
- proximidade dos grandes centros consumidores de energia (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte);
- integração ao sistema de Furnas.
As principais críticas que são feitas ao Programa Nuclear Brasileiro são:"
- elevado custo de sua implantação, consumindo bilhões de dólares, e contribuindo para o aumento da dívida externa;"
- o preço do quilowatt gerado numa central nuclear sai cerca de três vezes mais caro que o da usina hidrelétrica;"
- o perigo que representa esse tipo de fonte energética, com risco de acidentes e contaminação do meio ambiente;"
- o acordo nuclear Brasil-Alemanha foi imposto pelo governo ditatorial militar sem uma consulta à sociedade brasileira;"
- os responsáveis técnicos superestimaram o aumento do consumo de energia para as próximas décadas e subestimaram o potencial hidráulico brasileiro. Existe ainda um elevado potencial hidráulico a ser aproveitado (quase 80%).
O Carvão Mineral
Exploração e Produção do Carvão no Brasil
A exploração do carvão mineral no Brasil começou em 1942, pela Companhia Siderúrgica Nacional, em Santa Catarina (vale do rio Tubarão), área de ocorrência do carvão de melhor qualidade do país. É o único que apresenta condições para a produção de coque - carvão coqueificável ou siderúrgico - com presença de carbono suficiente.
O carvão do Rio Grande do Sul e do Paraná, de qualidade bastante inferior, é usado para a produção de vapor (carvão-vapor).
Problemas do Carvão Mineral Nacional
- baixo teor calorífero ou carbonífero;"
- baixa qualidade, apresentando de 36 a 40% de cinzas e de 8 a 10% de enxofre;
- carvão do tipo betuminoso e sub-betuminoso, de formação permocarbonífera;
- ocorrência em camadas finas e descontínuas ou em pequenas bacias isoladas;
- grandes distâncias entre as áreas de produção e os principais centros consumidores;
- baixo nível tecnológico de exploração e falta de armazenamento adequado, onerando o preço final do produto.
A exploração do carvão mineral em Santa Catarina tem gerado sérios prejuízos ecológicos na bacia do rio Tubarão, além da formação de uma paisagem "lunar", devido à grande movimentação de rochas e à formação de gigantescas crateras que acelera os processos erosivos; ocorre ainda a poluição das águas, inclusive as do mar, devido ao grande volume de sedimentos e ácidos sulfúricos e outros que são carregados pelas enxurradas até os cursos fluviais.

Principais Jazidas Carboníferas e Áreas Produtoras

As mais importantes jazidas de carvão brasileiras localizam-se no Sul do país, em áreas da bacia sedimentar Paranaica, formações que datam do permocarbonífero (depósitos da série Tubarão).
No Rio Grande do Sul registram-se as maiores reservas; a produção, entretanto, é pequena, bem inferior à de Santa Catarina. As minas estão localizadas no vale do rio Jacuí: Butiá, São Jerônimo, Leão, Recreio e Charqueadas.
Em Santa Catarina registra-se a maior produção nacional de carvão (cerca de 80% do total brasileiro). As jazidas localizam-se no vale do rio Tubarão e proximidades.
Vários municípios catarinenses contribuem para a produção de carvão; e, dentre eles, podemos citar: Criciúma, Siderópolis, Lauro Muller, Urussanga, Araranguá, etc.
A principal empresa exploradora é a CSN (Cia. Siderúrgica Nacional) e o transporte é feito pela Estrada de Ferro D. Teresa Cristina até os portos Henrique Lajes, localizados em Imbituba e Laguna. Segue de navio até os portos de Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Vitória.
O Paraná aparece como terceiro produtor nacional (cerca de 3%) e suas jazidas localizam-se nos vales dos rios do Peixe e das Cinzas. Amazonas e Pará também apresentam jazidas carboníferas.

O Petróleo

O petróleo é um combustível fóssil, formado de matéria orgânica de origem marinha (planctons) que se acumula nas bacias sedimentares.
As Principais Áreas de Produção
No Brasil, as bacias sedimentares marginais, localizadas no litoral e na plataforma continental, são as que possuem condições mais favoráveis à ocorrência do petróleo e do gás natural.

A Bacia de Campos no Rio de Janeiro

No ano de 1974, ocorreu a descoberta do primeiro campo de petróleo na bacia de Campos. Em 1984, o número de poços já chegava a 358. Os grandes êxitos alcançados e o grande incremento na produção transformaram essa bacia na mais importante área de produção petrolífera do país. Os poços de petróleo perfurados na plataforma continental recebem normalmente o nome de peixes do mar: Garoupa, Namorado, Badejo, Enchova, Agulha, Pampo, Bicudo, Bonito, etc.
Em setembro de 1993, a Petrobrás descobre o campo número 1000, com capacidade de 200 mil barris/dia, na bacia de Campos.
As Bacias Sedimentares do Recôncavo-Tucano
Essa bacia sedimentar (Recôncavo Baiano) foi a primeira a produzir petróleo no país e, durante muitos anos, a de maior produção nacional. O primeiro poço a jorrar petróleo (Lobato) encontra-se aí localizado. Trata- se de uma bacia do tipo Fratura Interior, com terrenos datados do Mesozóico (Cretáceo). Atualmente responde pela segunda produção nacional, após a bacia de Campos. A presença do petróleo na região favoreceu o desenvolvimento das indústrias química e petroquímica. Além da Refinaria Landulfo Alves, em Mataripe, existe o pólo petroquímico de Camacari.
Outras Áreas de Produção

O petróleo é produzido ainda na plataforma continental de Sergipe - Alagoas (terceira área de produção), no Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Amazonas e Maranhão.

a produção nacional de petróleo manteve-se estagnada durante toda a década de 70. Na década seguinte (80), ocorreu um grande aumento na produção, resultado de um grande esforço e vultosos investimentos em pesquisa e prospecção realizados pela Petrobrás. A descoberta de imensas jazidas petrolíferas na bacia de Campos-RJ foi a causa principal da expansão na produção.

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