sábado, 3 de abril de 2010

Formas de Exploração da Terra

As propriedades agropecuárias podem ser exploradas diretamente pelo proprietário ou indiretamente pelo:

*parceiro ou meeiro – aquele que utiliza as terras do proprietário e divide com este a produção obtida;

*arrendatário – aquele que paga um aluguel ao proprietário pelo uso da terra;
*posseiro – aquele que utiliza terras que encontra vazias para uma produção de subsistência. Ocupa terras que não são suas, é o ocupante;

*grileiro – falsifica títulos de propriedade e vende terras que também não são suas

Problemas enfrentados pela agropecuária no Brasil:

*reduzido aproveitamento dos espaços disponíveis – muitas terras no Brasil não apresentam qualquer forma de utilização. Parte do crescimento de nossas safras agrícolas tem dependido da incorporação de novos espaços a esse setor produtivo mas ainda podemos ampliar e muito o espaço agrícola do país;

*baixo nível de instrução e cultura do agricultor – grande parte dos que trabalham na terra tem um nível de instrução muito baixo, ou são mesmo analfabetos. Melhorar o padrão de cultura da população é importante e, no caso do agricultor é necessário que ele possa evoluir também em seus conhecimentos técnicos para que deixe de utilizar técnicas antiquadas que contribuem para a baixa produtividade e desgaste do solo;

*nível de mecanização – o avanço da mecanização na agricultura vem ocorrendo especialmente no Centro-Sul do país. A mecanização e o uso de técnicas modernas permite um aumento da produtividade. A sua aplicação indiscriminada, irracional, traz problemas como um desemprego acelerado no campo e até mesmo intensificação da erosão do solo. Deve ser introduzida de maneira planejada e deve ser estimulada como uma forma de permitir ao produtor a competitividade para sobreviver no mercado;

*crédito rural e preços mínimos – para que o agricultor possa produzir ele precisa de uma linha de financiamentos, com juros reduzidos, para fazer frente aos gastos tanto no plantio (sementes, adubos, fertilizantes, equipamentos de irrigação, ferramentas, mão-de-obra) como na colheita (máquinas, combustível, mão-de-obra, embalagens, estocagem e transporte).
Historicamente, no Brasil, o volume de recursos à disposição para o agricultor não tem conseguido atender a todos e muitas vezes foi mal distribuído e desviado de suas reais finalidades (construção de hotéis-fazenda, piscinas em mansões rurais...). Na última década o Brasil conseguiu evoluir nessa questão e além disso tem aumentado o percentual de agricultores capitalizados o suficiente para bancar seu próprio empreendimento. A adoção de uma política de preços mínimos, justa, traz segurança e tranqüilidade ao produtor, desde que não se concentre apenas em uma prática de subsídios que onerem o Estado e dificulte a capacidade de evolução da competitividade da agropecuária brasileira (como ocorre em países europeus).

*armazenamento e transporte - a safra agrícola tem conseguido recordes de produção. Mas ainda permanecem problemas na armazenagem (deficiente e/ou insuficiente, com falta de silos e armazéns, muitas vezes inapropriados para guardar a safra) e no transporte inadequado, o que leva a perdas significativas da colheita e a prejuízos ao agricultor. Caso ele tivesse acesso a uma capacidade maior de armazenagem, não precisaria escoar toda a sua produção imediatamente para o mercado e poderia conseguir um melhor preço posteriormente.

*distribuição de terras – historicamente o modelo econômico adotado pelo Brasil e as legislações criadas favoreceram a formação de grandes propriedades através de um processo de concentração de terras. Nas últimas décadas a continuidade desse processo associado à modernização agrícola (expansão da mecanização) e à pressão por uma agricultura cada vez mais capitalizada expulsou muitos trabalhadores do campo que se dirigiram para as cidades no movimento migratório do êxodo rural. Os que permaneceram no campo engrossaram movimentos sociais, organizados ou não, multiplicando-se casos de invasões de propriedades, conflitos e mortes nas áreas rurais. A grilagem de terras contribuiu para agravar a revolta social no campo brasileiro, assim como a presença de posseiros preocupados com sua sobrevivência e de sua família. A formação de grupos armados por fazendeiros para proteção de suas terras (legais ou griladas) e a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras contribuíram para definir um quadro de violência e ilegalidade nas áreas rurais, incluindo-se aí a invasão de terras indígenas, muitas vezes massacrados na luta com os brancos. Juntam-se a todos esses atores alguns setores progressistas da Igreja e grupos políticos ideologicamente de uma esquerda mais radical (revolucionários) que também defendem seus pontos de vista e interferem na questão.
Assim, a necessidade pela execução de uma reforma agrária no país foi
se tornando urgente e inadiável. A atuação do INCRA durante os governos
militares preocupou-se mais com a colonização agrícola de áreas vazias do
território nacional (como a Amazônia) do que com a redistribuição de terras,
enquanto se incentivava também a ocupação do cerrado por grandes
propriedades exportadoras (como a produção de soja, por exemplo). Em 1985,
no início de redemocratização do país, o governo de José Sarney cria o
Ministério da Reforma Agrária e a Constituição promulgada em 1988 contempla
um Plano Nacional de Reforma Agrária, de responsabilidade do Estado. A
desapropriação de terras improdutivas que não estejam cumprindo sua função
social está sendo feita, assim como a redistribuição de terras.

O ritmo dessa reforma é contestado por alguns que a julgam lenta e tímida. Vale lembrar que existem interesses conflitantes nessa questão e, nem sempre os recursos suficientes para uma intensificação desse processo. Além disso, é importante frisar que uma Reforma Agrária não pode parar simplesmente no ato de redistribuição de terras, mas deve garantir condições mínimas para que o camponês pobre possa produzir: linhas especiais e subsidiadas de financiamento, treinamento e qualificação de mão-de-obra, estímulo à formação de cooperativas e criação de centros de apoio para armazenagem, transporte e comercialização da produção.
Ao mesmo tempo em que avança a execução do PNRA (ainda que não seja a Reforma Agrária desejada por alguns setores da sociedade) avança a moderna produção agroindustrial, consolidando-se no Centro-Sul do país e estendendo-se pelo Nordeste e Amazônia. Preocupada com o aumento da produtividade, com a melhoria da qualidade na produção agropecuária e com ganhos de competitividade busca expandir seus mercados externos e enfrenta a prática protecionista de muitos mercados como o europeu e o norte-americano.
Essa moderna agropecuária tem se preocupado com o uso progressivo de sementes selecionadas, rebanhos melhorados, informatização no campo, pesquisas agropecuárias, controle rigoroso do rebanho e até mesmo o polêmico cultivo de trasngênicos.

3 comentários:

  1. amei esse blogspot me ajudou muito...obrigado

    ResponderExcluir
  2. Mt bom, E eh importante tbm saber que muitas mortes ocorrem devido a invasão de terras ke antes eram tidas como propriedades de determinada pessoa, por exemplo no norte ke pussui o maior numero de mortes decorrentes dessas disputas por terras..

    ResponderExcluir
  3. MUITO DETALHADO e com palavras simples e explicativas, facilitando assim a compreensão.
    Obrigada!

    ResponderExcluir

Fique a vontade para comentar. Você tem o direito de gostar ou não e de concordar ou não com nossas postagens, por isso antes de escrever palavrões tenha atitudes mais inteligentes: procure outro blog, faça um se és capaz ou vai tratar das tuas frustrações.