sábado, 3 de abril de 2010

O Branco Brasileiro

Em 1890, ano em que foi realizado o segundo recenseamento oficial do brasil, os brancos representavam 42% da população brasileira, contra 55% de mestiços e negros e 3% de índios.
A intensificação do processo imigratório após a proibição do tráfico de escravos (1850) e, principalmente, após a Abolição da Escravidão (1888) alterou profundamente a proporção étnica da população brasileira.
Entre 1884 e 1933, o Brasil recebeu quase 4 milhões de imigrantes, a grande maioria formada por brancos. Em 1940, ano em que foi realizado o quinto recenseamento oficial, os brancos passaram a representar 63,5% da população do país, contra 35,8% de mestiços e 0,7% de amarelos.
Nos últimos 50 anos, embora tenha diminuído a proporção de brancos (redução da imigração e miscigenação interna), mais da metade da população brasileira é formada por brancos (55,2% em 1991).
Dentre os indivíduos de cor branca, predominam os de origem européia, destacando-se os seguintes grupos:
• Atlanto-mediterrâneos: é o grupo mais numeroso e representa cerca de 75% do total de imigrantes que entravam no Brasil. É formado, principalmente, por portugueses, italianos e espanhóis.
• Germanos ou teutões: grupo representado por alemães (os mais numerosos), austríacos holandeses, suíços e outros.
• Eslavos: grupo representado por poloneses (os mais numerosos), ucranianos, russos e outros.
Além dos europeus, o Brasil recebeu indivíduos brancos de outras partes do mundo: Ásia (turcos, árabes, judeus, libaneses, sírios etc.), América do Norte, América do Sul etc.
As regiões brasileiras que apresentam os maiores percentuais de indivíduos de cor branca são as regiões Sul (cerca de 80%) e Sudeste (cerca de 65%).
Além de predominar em número, o branco exerce amplo domínio econômico, social e político no país. Comparado aos negros e aos pardos, os brancos levam enorme vantagem: têm os melhores empregos, ganham mais, estudam por um tempo maior e vivem mais e melhor. Os números a seguir, fornecidos pelo censo de 1980, confirmam a melhor situação sócioeconômica dos brancos em relação aos negros e pardos.
• Dos trabalhadores que ganham dez ou mais salários mínimos, 86,6% são brancos, contra 9,9% de pardos e 0,7% de negros.
• 79% dos empregadores (patrões) são brancos, contra 16% de pardos e apenas 1% de negros.
• 58% dos empregados são brancos, contra 34% de pardos e 7% de negros, ou seja, para cada oito empregados brancos, há cinco pardos e um negro.
• O percentual de brancos que têm nove anos e/ou mais de estudos é de 16%, contra 6% de pardos e 4% de negros.
Com o fim da escravidão e a entrada maciça de imigrantes europeus, as elites criaram modelos discriminatórios e mecanismos de resistência à ascensão social das camadas não-brancas, marginalizando-as nos níveis econômico, social e cultural.
Forçados a competir em pé de igualdade com os imigrantes, os pardos e os negros ex-escravos não se incorporaram ao novo modelo de desenvolvimento socioeconômico (o modelo urbano-industrial) e foram compor a parcela de marginalizados. Entrava em cena o mito (difundido pelo colonizador) da incapacidade do negro para o trabalho.
Em 1893, os imigrantes já representavam 79% do pessoal ocupado nas atividades manufatureiras e 85% nas atividades artesanais, atividades essas que antes eram exercidas pelos negros e pelos pardos.

Um comentário:

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