sábado, 3 de abril de 2010

O Negro Brasileiro

Capturados na África, os primeiros negros escravizados chegaram ao Brasil na primeira metade do século XVI, possivelmente em 1532. No continente americano, a chegada dos primeiros negros africanos escravizados data de 1502, em São Domingos, nas Antilhas.
A vinda forçada dos negros para o Brasil é explicada pelos lucros decorrentes do seu tráfico e pela necessidade de se explorar a sua força de trabalho na nascente economia canavieira.
Por vários séculos, desde o ciclo da cana-de-açúcar (séculos XVI e XVII) até o ciclo do café (séculos XIX e XX), o negro foi o braço sustentador da economia brasileira, estando presente em todas as atividades econômicas fundamentais do país:
• Na agroindústria açucareira do nordeste, iniciada no século XVI.
• Na atividade mineradora nos séculos XVII e XVIII em Minas Gerais e na Região Centro-Oeste.
• Na lavoura algodoeira nos séculos XVII e XVIII no maranhão.
• Na cultura cafeeira no século XIX na região Sudeste (Rio de janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo) e na atividade industrial.
Para se dar uma idéia da importância da mão-de-obra escrava para a economia brasileira, basta dizer que, entre 1820 e 1860, o Brasil recebeu 1.200.000 negros escravizados, mais que o dobro da quantidade recebida por toda a América espanhola no mesmo período.

O tráfico negreiro e as áreas de procedência

Capturados através de raptos, guerras ou simplesmente comprados ou trocados por mercadorias. Os negros eram em seguida transportados da África para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Aí eram amontoados, mal-alimentados, sofriam castigos e eram mantidos em completa promiscuidade. Muitos morriam na viagem.
Chegando ao Brasil eram vendidos a preços que variavam de acordo com o sexo, a idade, a procedência etc.
Com relação à quantidade de escravos que entraram no Brasil, 3,5 a 4 milhões é a cifra mais aceita pelos estudiosos. Quanto às áreas de origem, dois grupos se destacam : Os sudaneses e os bantos.
Sudaneses. Provenientes de regiões próximas ao Golfo da Guiné (África ocidental), que correspondem atualmente a países como Guiné, Costa do Marfim, Burkina, Gana, Togo, Benin e Nigéria.
Os sudaneses são descritos como mais altos e corpulentos que os bantos e de nível cultural mais elevado. Desembarcaram principalmente em Salvador, sendo que posteriormente muitos foram levados para trabalhar na extração do ouro em Minas Gerais. Os sudaneses são divididos em dois grupos:
• Haúças, mandingas e fulas (islamizados);
• Iorubas, nagôs, jejes e fanti-achantis (não islamizados).
Bantos. Provenientes de Angola, do Congo e de Moçambique, são descritos como mais atrasados culturalmente e de feições mais rudes. Os principais portos de desembarque foram Recife, São Luís e Rio de Janeiro.
Maioria da população até por volta do início do século XIX, em 1890, dois anos após a Abolição da Escravidão, os negros estavam reduzidos a menos de 15% da população total do país. Para isso contribuíram principalmente, a proibição do tráfico negreiro, a miscigenação, a elevada mortalidade dos negros e a imigração européia. Em 1988, no centenário da Abolição, os negros não ultrapassavam 5% da população do país.
Se a proporção de negros na população total do país diminuiu de forma assustadora, a discriminação contra os negros em nada se modificou.
A discriminação não é apenas uma questão de cor. É, também, uma questão de qualidade de vida.
"O negro quando nasce tem 30% a mais de chances que o branco de morrer antes de completar 5 anos de idade. Quando cresce, tem o dobro de chances (de um branco) de sair da escola sem aprender a ler nem escrever. Quando morre, chegou ao fim uma vida cuja expectativa, ao nascer, era de apenas 50 anos. Se fosse branco, a expectativa de vida seria de 63 anos." (Revista Veja, 11-5-1988, p.22.).
Decorridos mais de cem anos desde a Abolição, e quase quinhentos anos desde a chegada do negro, o que se verifica de fato, hoje, no Brasil é a existência de duas cidadanias: a branca e a negra.
Essa é a dura realidade que nem mesma a tão propalada ideologia da "democracia racial" conseguiu esconder. Essa ideologia admite existir convivência harmoniosa entre brancos e não-brancos no Brasil.

Um comentário:

  1. No Brasil dezenas de milhares de negros e simpaizantes protestam Movimentos negros brasileiros fizeram protestos de desagrado contra famoso cantor e sambista Martinho da Vila, Escola de Samba Unidos de Vila Isabel que neste carnaval de 2012, no enredo “Você Semba Lá… Que Eu Sambo Cá. do povo brasileiro) que nos versos O Canto Livre de Angola!”. Com uma exaltação maravilhosa a ANGOLA a pátria mãe da maioria (54% tem sangue africano-angolano em nossas aveias. Samba Enredo da Vila Isabel(O para Presidente Wilson Vieira Alves a carnavalesca Rosa Magalhães e principalmente o Presidente de Honra: Martinho José Ferreira o “Martinho da Vila” que se negaram a ouvir e atender as reclamações dos milhares de e-mails, cartas e ligações telefônicas e celulares para sensibilizar esses dirigentes. que seria um desprestígio para comunidade negra feminina serem excluídas as frente da bateria da Vila Isabel colocando uma rainha nipo-brasileira (japonesa) e uma musa loira, com respeito a elas, mas porque não por uma negra também e por coerência ao enredo exaltava a raça negra e negritude cultural África Angola Brasil. Apesar de todos esforços não foram suficientes par conscientizar estes dirigentes é lamentável que as crianças a juventude a mulher afro brasileira sofram estes preconceitos excluídas marginalizadas , humilhadas por aqueles que dizem ser defensores e nossos ídolos. Martinho da Vila é uma vergonha e covardia, muito obrigado pelo desserviço ao resgate e valorização da raça negra.Rei Martinho Ganga Zumba da Vila? Mariana Benedita dos Santos,Negra Bene. mariana.jornalista@bol.com.br

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