sábado, 3 de abril de 2010

Os Climas do Brasil

A atuação dos principais fatores climáticos

Você já estudou que os fatores que influenciam os climas da Terra. Agora, você verá a atuação desses fatores na formação dos climas.

Altitude

Lembre-se de que, quanto maior a altitude, mais frio será, Mas somente a altitude, isolada de outros fatores, não determina os climas no Brasil, porque mais de 95% do relevo brasileiro está a menos de l 200 m de altitude. Campos do Jordão, em São Paulo, e as serras gaúchas e catarinenses, com altitudes acima de l 200 m, são exceções.A tabela l ilustra diferentes médias térmicas anuais registradas em algumas cidades brasileiras e suas altitudes.

Latitude

Esse fator influencia os climas no Brasil porque o território brasileiro apresenta quase 40° de variação latitudinal. Lembre-se de que, nas altas latitudes, as temperaturas são mais baixas e as amplitudes térmicas são maiores. Portanto, as cidades próximas à linha do Equador (região Norte) têm amplitudes térmicas menores e temperaturas mais altas do que as cidades do Sul e do Sudeste, em virtude dasdiferenças de latitude existentes entre elas.

Contínentalidade

Vimos que, quanto menor a distância cm relação ao mar, menor é a amplitude térmica de uma cidade, porque a proximidade do mar torna as temperaturas mais estáveis. Por exemplo, a cidade de Santos, em São Paulo, possui menor amplitude térmica do que as cidades df Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, localizadas no interior do território brasileiro.

Correntes marítimas

O Brasil sofre a influência de duas correntes marítimas quentes: a corrente do Brasil (no sentido sul) c a corrente do Golfo (no sentido norte), que contribuem para a formação de climas quentes.

A atuação dos principais elementos climáticos

Entre os principais elementos climáticos que, combinados, determinam os climas brasileiros, estão a pressão atmosférica (ventos), as temperaturas
e a umidade (chuvas). Porém, a atuação das massas de ar é o principal elemento que explica as diferenças no tempo e no clima do Brasil.

O mecanismo das massas de ar

As massas de ar constituem o principal elemento determinante dos climas brasileiros porque podem mudar bruscamente o tempo nas áreas onde atuam.
O Brasil sofre a influencia de praticamente todas as massas de ar que aluam na América do Sul, exceto as que têm origem no oceano Pacífico (oeste),
cuja influência é limitada pela cordilheira dos Andes, que barra a sua passagem para o interior do continente.
Por ter 92% de seu território na íona tropical e estar localizado no hemisfério sul, onde as massas líquidas (oceanos e mares) ocupam maior espaço do que
as massas sólidas (terras), o Brasil é influenciado predominantemente pelas massas de ar quente e úmido.

Massa equatorial continental (mEc}

Originária da Amazônia ocidental - área de baixa latitude e. muitos rios, a mEc é uma massa de ar quente, úmido e instável. E a que exerce maior influência no Brasil: atinge todas as regiões durante o verão no hemisfério sul, provocando chuvas, Na Amazônia, as elevadas temperaturas e as altas taxas de umidade, decorrentes da atuação dessa massa de ar, são responsáveis pêlos elevados índices pluviométricos da região. No inverno, a mEc recua e sua ação fica restrita à Amazônia ocidental.

Massa tropical atlântica (mTa)

De ar quente c úmido, a mTa origina-se no Atlântico Sul. Formadora dos ventos alísios de sudeste, atua na faixa litorânea brasileira, que se stende da região Sul à região Nordeste, e é praticamente constante no decorrer do ano. Durante o inverno, a mïa encontra a única massa de ar frio e úmido que atua no Brasil, a massa polar atlântica (mPa). Esse encontro provoca chuvas frontais no litoral nordestino. Por isso é comum ouvirmos notícias sobre chuvas que castigam Maceió, Salvador e Recife no mês de julho, principalmente.
No litoral das regiões Sul e Sudeste, o encontro da mTa com as áreas mais elevadas da serra do Mar provoca as chuvas orográficas ou de montanha.

Massa polar atlântica (mPa)

Por se originar no oceano Atlântico, ao sul da Argentina, cm uma zona de média latitude (de 30" a 60"), a mPa tem ar frio e úmido. Atua principalmente no inverno, dividindo-se em três ramos separados pela orientação do relevo brasileiro, Os dois primeiros ramos referem-se ao corredor de planícies interiores brasileiras, que estão cercadas por áreas de maiores altitudes, como os Andes (no oeste) e as serras brasileiras (no leste), permitindo o avanço da mPa sobre essas áreas mais baixas do nosso relevo.
O primeiro ramo sobe pelo vale do rio Paraná, atingindo a região Sul, e traz ventos frios, como o minuano c o pampeiro, causando a formação de granizo, geada e até neve nas serras catarinenses e gaúchas. O morro da Igreja, localizado no município de Ubiraci, em Santa Catarina, apresenta as menores temperaturas brasileiras por reunir os fatores altitude e latitude, c o elemento climático, no caso a massa polar atlântica.
O segundo ramo, também consequência das baixas altitudes da área central do território brasileiro, permite o avanço dessa massa de ar frio e úmido que chega a atingir a Amazônia ocidental e provoca a queda brusca da temperatura, por alguns dias, no Mato Grosso, Rondônia e Acre. E o fenômeno da "friagem", do qual falaremos adiante.
O terceiro ramo refere-se ao avanço da massa polar atlântica pelo litoral brasileiro, do Sul ao Nordeste. No Nordeste oriental (litoral), como já vimos, o encontro da mPa (de ar frio e úmido) com a mTa (de ar quente e úmido) provoca as chuvas frontais durante o inverno.

Massa equatorial atlântica (mEa)

Massa de ar quente e úmido, a mEa origina-se próximo do arquipélago português dos Açores, na África, Formadora dos ventos alísios de nordeste, atua, principalmente, durante a primavera e o verão no litoral das regiões Norte e Nordeste. Conforme avança pelo interior do país, essa massa de ar vai perdendo a umidade, por isso não causa chuvas significativas na porção norte do litoral nordestino.

Massa tropical continental (mTc)

Por ler origem na depressão do Chaco (Paraguai), isto c, em uma zona de altas temperaturas e pouca umidade, é uma massa de ar quente e seco. No Brasil, atua no sul da região Centro-Oeste e no oeste das regiões Sul e Sudeste, onde ocorrem longos períodos de tempo quente e seco. Também provoca um bloqueio atmosférico que impede a chegada das massas de ar frio, quase sempre nos meses de maio e junho, quando ocorrem dias com temperaturas mais altas, chamados de veranico".

A classificação climática brasileira

Optamos pela classificação climática do cientista norte-americano Arthur Strãhicr, por estar baseada na circulação e na atuação das massas de ar que determinam os climas no Brasil.
Considerando a dinâmica das massas de ar que atuam no Brasil, encontramos os tipos de clima ilustrados no mapa acima e cujas características descrevemos a seguir.

Climas controlados por massas de ar equatoriais e tropicais

Clima equatorial úmido

Esse tipo de clima é determinado pela massa equatorial continental (mEc), e sua principal área de ocorrência é a Amazônia. Tem como características
elevada taxa de umidade, em virtude da presença dos rios e da vegetação na região, e altas temperaturas, por encontrar-se em baixa latitude, As chuvas são constantes e abundantes (chegam a ultrapassar 2 500 mm anuais), resultado da convecção ou ascensão vertical do ar e consequente esfriamento e condensação. Apresenta também baixa amplitude térmica anual (a menor do Brasil), iferior a 4 "C, e médias térmicas anuais elevadas, que variam
pouco, de 25 °C a 28 °C.

Clima litorâneo úmido

Abrange a faixa da costa do Nordeste e do Sudeste e sofre influência da massa tropical atlântica (mTa). Apresenta como características chuvas concentradas no inverno, que variam de l 500 mm a 2 000 mm durante o ano, e médias térmicas elevadas.
Nessa estação, no litoral nordestino, o encontro da mTa (de ar quente e úmido) com a mPa (de ar frio e úmido) provoca chuvas frontais. Durante
o verão, tanto no Sudeste como no Nordeste, o encontro da mTa com as áreas mais elevadas, como o planalto da Borborema (no Nordeste) e as serras do Mar e da Mantiqueira (no Sudeste), provoca as chuvas orográficas.

Clima tropical

E o clima mais representativo do Brasil, por isso chamado de tropical típico.
Abrange áreas das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. Apresenta duas características marcantes:
- A existência de duas estações bem definidas
- Verão. Estação chuvosa, provocada pela massa de ar equatorial continental (mEc) e pela massa tropical atlântica (mTa).
- inverno. Estação seca. Nessa época, a mEc se retrai, deixando espaço para a atuação de outras massas de ar: a mPa e a mTc. A massa polar aproveita o corredor formado pelas terras mais baixas da região Centro-Oeste e atinge a porção sul da Amazônia, quando a temperatura pode chegar a 10 °C.
- amplitudes térmicos anuais elevadas, devido à influência da continentalidade.

Clima tropical semi-árido

Característico do Sertão nordestino e do norte de Minas Gerais, As massas que atuam para a ocorrência desse tipo de clima são a tropical atlântica (mTa) e a equatorial continental (mEc).
Quando chega ao interior do Nordeste, a mTa já perdeu a umidade, pois barreiras montanhosas impedem a passagem das chuvas, que caem no litoral. E o clima brasileiro com o menor índice pluviométrico anual. O que causa o problema da estiagem é a má distribuição das chuvas, concentradas em alguns meses do ano, O índice de chuvas anuais chega, às vezes, a ser inferior a 500 mm. As médias térmicas anuais e as temperaturas são elevadas.

Climas controlados por massas de ar tropicais e polares

Clima tropical de altitude

Localiza-se nas áreas de maior altitude da região Sudeste. Sofre grande influência anual da massa tropical atlântica (mTa), que é úmida.
No inverno, a massa polar atlântica (mPa) é responsável pelas baixas temperaturas e pelas geadas que costumam ocorrer nessa época. Diferencia-se do clima tropical típico ou continental por apresentar maior índice pluviométrico anua! (acima de l 700 mm), verões menos quentes e invernos mais frios.

Clima subtropical úmido

Representativo do Sul do Brasil, é dominado pela massa tropical atlântica (mTa), mas sofre grande influência da massa polar atlântica (mPa), no inverno.
Apresenta o segundo maior índice pluviométrico anual (em torno de 2 500 mm), só perdendo para o clima equatorial úmido. Tem as estações bem definidas c chuvas bem distribuídas durante o ano, No inverno são constantes as ondas de frio, a formação de geada e chuvas de granizo. Pode ocorrer neve nas áreas de maior altitude, como na região de São Joaquim, em Santa Catarina.

6 comentários:

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